Google Ads: clique ficou 15,8% mais caro em campanhas com verba curta

O que houve
O Google Ads, plataforma do Google para comprar anúncios, mudou em 17 de agosto como usa o orçamento de campanhas que têm uma meta de custo por resultado. Antes, quando faltava orçamento, o sistema fazia ofertas mais baixas. Agora, ele pode gastar mais perto da meta definida para tentar usar a verba disponível.
A mudança vale para campanhas com meta de custo por aquisição, CPA, que é quanto a empresa aceita pagar por uma ação como venda ou cadastro, ou meta de retorno sobre gasto em anúncios, ROAS, que é quanto a empresa espera faturar para cada real investido. O Google dá o exemplo de uma meta de US$ 10 por ação: se a campanha vinha pagando US$ 5, ela pode passar a buscar resultados mais perto dos US$ 10.
Os 15,8% não são uma medição do Brasil nem uma promessa de aumento para toda conta. É o resultado de uma análise da Smarter Ecommerce, empresa de análise de anúncios, feita com dados em euro e publicada por um terceiro.
Nessa análise, o custo por clique, CPC, subiu 15,8% no valor do meio da amostra das campanhas com meta de retorno e orçamento limitado, de 0,38 para 0,44 euro. A participação de exibição, que mostra em quantas oportunidades o anúncio apareceu, caiu de 40% para 31% nessas campanhas.
O que muda no Brasil
A mudança vale no Brasil desde 17 de agosto de 2026. A página oficial do Google está em português e não traz regra diferente por país. O Google também não indica que a alteração tenha sido liberada por região.
Ela atinge campanhas de anúncios na busca do Google, anúncios de produtos e outros formatos listados pela empresa. Ficam fora as campanhas de instalação de aplicativos e alguns formatos de vídeo, segundo a regra oficial.
A fonte não cita contas brasileiras de forma específica e não publicou uma medição em real. Por isso, o número europeu serve apenas como alerta para conferir a própria conta.
Por que isso importa pra você
O risco maior está em campanhas que aparecem como "limitada pelo orçamento" e já trabalham com uma meta de custo alta. Se o custo real vinha bem abaixo da meta, o Google agora tem mais espaço para pagar caro por cada resultado até se aproximar do teto que você autorizou.
Na prática, isso pode trazer duas consequências ao mesmo tempo:
- Clique mais caro, o que reduz a quantidade de visitas que a mesma verba compra.
- Menos presença nos resultados de busca, porque a análise encontrou queda na participação de exibição das campanhas com verba curta.
- Meta de custo combinada antes de 17 de agosto que pode não refletir mais o comportamento atual da campanha.
Para quem vende tráfego ou prometeu um custo por venda a um cliente, a conversa precisa acontecer antes do fechamento do mês. O histórico anterior à mudança pode dar uma visão otimista demais do resultado atual.
O que fazer agora
Faça uma revisão nesta semana nas campanhas que usam meta de custo por ação ou meta de retorno sobre gasto e estão limitadas pelo orçamento.
- Liste as campanhas com esse aviso e compare o custo por clique e a participação de exibição de julho com os últimos 30 dias.
- Veja se o custo real por venda ou cadastro estava muito abaixo da meta configurada.
- Se estava, ajuste a meta para mais perto do resultado histórico real, em vez de deixar o sistema usar o teto antigo.
- Revise contratos ou previsões de custo feitos antes de 17 de agosto.
Não aumente o orçamento só para tentar recuperar volume sem antes conferir a meta. Com uma meta alta, mais verba pode apenas ampliar um gasto que ficou menos eficiente.